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Colóquios de Economia – Parte 1: Comércio e Especialização Fazem Bem…

Sejamos sérios nesse momento para discutir um assunto de grande importância para compreensão desse sistema econômico nojento [embora muito bem estruturado e eficiente] no qual vivemos. Primeiro devo confessar que não sei absolutamente meleca nenhuma de economia, mas disponibilizarei essa pequena gosma de conhecimento para os interessados.

Bem, há alguns anos atrás li aqui por diversão o livro do senhor Mankiew de “Introdução à Economia – Princípios de Micro e Macroeconomia” e gostei “de mais da conta, sô”, embora isso não seja da conta de ninguém. Pelo menos na minha opinião, o sr. Mankiew é para a economia o que o sr. Spivak é para a Matemática, no sentido de que ambos utilizam uma lingueagem descontraída e elegante para conversarem a respeito de assuntos tão chato ou complexos quanto aqueles que existem nessas duas grandes áreas do conhecimento humano. Devo interjeitar nesse momento: What the …!? Em suma, sai de frente da tv e arruma o livro do Mankiew!!!

Pois bem, a primeira coisa que deve ficar claro é a afirmação de que a especialização do trabalho melhora a vida de todos!! Pensemos um pouco sobre isso, mesmo acreditando que o senhor já praticamente baba sobre o teclado….ACORDA AÍ, MEU FILHO!!!! Para tanto permita-me imaginar que Bruno [eu..] e José coletaram algumas shot guns, desert eagles, bazucas, granadas, bombas de efeito moral e artilharia pesada como pontes 50 e afins e dominaram a pequena ilha de Fernando de Noronha. Lá constituíram um país denominado Brocklandia [a históra é minha]…. Agora, para não morrermos de fome eu e José combinamos de produzir batatas e carne. Após algumas semanas alternando nas atividades de produção [devo observar que adotamos o regime de 40 horas semanais de trabalho, embora eu tenha lutado muito pelas 20 horas semanais], eu e José [como bons “nerds”] elaboramos um conjunto de gráficos apresentando aquilo que se denomina nossas fronteiras de possibilidade de produção.

Esses gráficos indicam a quantidade em quilos de batatas e carne que eu ou José somos capazes de produzir em uma semana [40 horas] de trabalho árduo e sujo. Por exemplo, no meu caso, se me dedicar as 40h totalmente à produção de batatas (ou seja, com minha produção de carne igual a 0 Kg) o gráfico mostra que sou capaz de produzir 4 Kg desse tubérculo delicioso e, se me dedicar apenas à produção de carne, sou capaz de produzir 2 Kg da mesma. Isso nos informa duas coisas: (1) que sou o cúmulo da preguiça em comparação com o José, já que ele é capaz de produzir maiores quantidades desses produtos na mesma quantidade de tempo [o que significa que o José é mais produtivo (ai ai…grande coisa!)], mas que (2) eu possuo uma vantagem comparativa na produção de batatas [suspeitei desde o princípio!!]. Para entender o que isso significa observe que, embora José possua maior produtividade do que a minha pessoa tanto para carne quanto para batata [os economistas diriam que José possui uma vantagem absoluta na produção de ambos bens], o custo de 1Kg de batata para mim é deixar de produzir apenas 0,5Kg de Carne [2Kg de Carne / 4Kg de Batata], enquanto que para José o custo da mesma quantidade de batata é deixar de produzir estonteantes 8Kg de Carne [40Kg de Carne / 5Kg de Batata]. Em suma, eu perco muito menos [em termos de carne] na produção de 1 Kg de batata. Os economistas diriam que o custo de oportunidade de um 1Kg de Batata é muito menor pra mim do que para o José, no sentido de que eu abro mão de muita pouca carne para produzir 1Kg de batata. Assim, eu possuo uma vantagem comparativa na produção de batata, pois ela é mais barata para mim. Claro que eu não percebi nada disso. Quando bati os olhos nos gráficos do José fiquei me sentindo um meleca asqueroso e que minha vida estava no abismo sem fim. Pensei em me vender como escravo para o Jose em troca de um punhado de carne!!! Mas, ao contrário, o José percebeu essa vantagem comparativa que eu possuo e propôs um pequeno acordo. A partir daquele momento eu me dedicaria apenas à produção de batatas e ele dividiria seu tempo para produzir 24Kg de carne e 2Kg de batata [para descobrir essas quantidades encontre a equação da reta no gráfico do José para obter que Carne = -8*Batata + 40]. Ao final da semana eu trocaria 1Kg de meus 4Kg de batatas em troca de 3Kg de carne que ele me passaria. Dessa forma eu ficaria com 3Kg de batata e 3Kg de carne, algo que eu não conseguiria obter se distribuísse meu tempo na produção de ambas [diremos que essas quantidades estão fora da minha fronteira de possibilidade de produção; isso porque, no meu gráfico acima o ponto (3,3) está acima da curva que representa minha capacidade de produção]. Já no caso do José ele ficaria com 21Kg de carne [já que me passou 3Kg dos 24Kg que produziu] e 3Kg de batata [já que juntou aos 2Kg que produziu o 1Kg que eu lhe passei]. Se fosse para ele distribuir seu tempo produzindo 21Kg de carne observe que ele obteria apenas 2,5Kg de batata [já que Carne = -8*Batata + 40], enquanto que fazendo o comércio comigo ele fica com 3Kg……Ahhhh seu viadoooo…. Todo mundo saiu ganhando….. Esse exemplo da Brocklandia expressa muito bem porque os economistas afirmam que o comércio é bom para todos e que cada um de nós deve se especializar naquilo em que possui vantagem comparativa. Não se trata de quem produz mais, mas de quem produz um bem pelo menor custo de oportunidade!!!!!!! José, seu viadoooooo…..

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